Por muito tempo, jogar na Curuzu era vitória praticamente certa para o Paysandu. O Estádio “Vovô da Cidade” sempre foi uma arma contra os adversários, que sabiam da dificuldade de enfrentar o Papão no local. Quantas partidas marcantes a equipe bicolor fez em sua casa, não é mesmo?

Bom, hoje em dia a realidade é outra. Nesta Série C do Brasileiro, por exemplo, o alviceleste tem a pior campanha como mandante no Grupo A, a segunda pior de toda a competição. Em quatro jogos, são duas derrotas e dois empates.

O histórico recente não é o mesmo do passado glorioso. Zé Augusto, ídolo do clube, conversou com a reportagem do ge e relembrou de quando defendeu o Paysandu na Curuzu. O “Terçado Voador” conta como o time na sua época se comportava em casa.

– Quando eu e muitos outros jogavam, como Jobson, Rogerinho, Vandick, Sérgio… a Curuzu era nossa casa. Para um time chegar e ganhar da gente, tinha que jogar muito, principalmente em 2000, 2001 e 2002. Com 10 minutos de jogo, já tínhamos chutado 10 bolas no gol e os caras se defendendo.

No Brasileiro de 2001, não perdemos uma partida na Curuzu. Os times que conseguiram empatar, tiveram o goleiro como melhor jogador em campo, porque nosso time atacava e não ficava com medo de jogar dentro da Curuzu.
— Zé Augusto, ídolo do Paysandu

O Zé da Fiel, como também era chamado, revela algumas conversas que os adversários puxavam durante as partidas, em específico um episódio que envolvia a briga pelo acesso à elite do Brasileirão.

– Não reclamavam só da Curuzu, mas da pressão que eles pegavam. Teve um jogo de 2001 contra o Caxias, o zagueiro perguntou para mim se não iríamos parar de correr e dar pressão. Era quadrangular, tínhamos que ganhar o jogo. Infelizmente, naquele dia, o goleiro foi um dos melhores jogadores. A pressão era grande e os caras perguntavam o que fazia a gente desenvolver aquela pressão.

Acostumado a jogar no estádio, Zé não esconde que sempre teve a preferência pela casa bicolor e exalta a força da torcida nas arquibancadas, algo que não está sendo possível durante a pandemia.

– Isso não é só questão de personalidade, mas é saber que o nosso estádio é para isso mesmo. A gente vê muitos times que dificilmente perdem em casa. Sempre gostei de jogar na Curuzu, até mais que no Mangueirão, porque a pressão do torcedor perto do gramado era muito legal. Gostava muito. Quando o torcedor vê que o time não está rendendo tecnicamente, mas está com raça, ele joga junto.

Recentemente o Paysandu empatou com o Altos-PI dentro da Curuzu, tendo saído atrás do placar — Foto: Brenno Rayol/Globo Esporte

Eu vejo, mesmo antes da pandemia, que o torcedor não está tendo essa mesma alegria. A torcida do Paysandu sempre foi de incentivar, de ir junto com os atletas. Isso a gente não vê hoje.

Sobre o atual momento, o ex-atacante opina que apenas o elenco pode acabar com a má fase do time na Curuzu. Ele relembra a disposição da equipe em sua época, que era o diferencial para pressionar os adversários.

– Não é o treinador ou a diretoria, são os jogadores que têm que fazer essa parte. Se o time não se impor, não mostrar que é o mandante, fica difícil. Graças a Deus, no nosso tempo sempre procurávamos fazer o melhor e as coisas aconteciam. A gente via que os times ficavam com receio de jogar na Curuzu.

Hoje a gente vê times do Acre e do Amapá, que a gente batia de manhã, de tarde e de noite, vem aqui e às vezes complica o jogo. Qualquer time vem e consegue jogar de igual para igual, mas quem tem que fazer o mando de campo são os atletas.

Fonte: G1
Marcelo Seabra/O Liberal