O Papa Francisco afirmou, em entrevista ao canal italiano Mediaset, que tomará a vacina contra a covid-19 porque considera esse um ato ético e importante para parar com a pandemia.

“Eu acredito que eticamente todo mundo deve tomar a vacina. É uma opção ética porque você aposta na sua saúde, na sua vida, mas também na vida dos outros”, ressaltou ao canal. A entrevista completa irá ao ar na noite deste sábado (9).

Francisco, que tem 84 anos e está no grupo de risco da doença, ainda confirmou que a vacinação no Vaticano começará “na próxima semana” e que “eu também me inscrevi porque isso deve ser feito”.

Segundo havia divulgado a Santa Sé, foram compradas doses da vacina contra o coronavírus Sars-CoV-2 desenvolvida pela Pfizer e pelo laboratório BioNTech – que já vem sendo aplicada em toda a Europa, nos Estados Unidos, Canadá, Israel, entre outras nações. A ANSA apurou que foram adquiridas 10 mil doses da BNT 162b.

Serão imunizados tanto a Cúria Romana, como funcionários do Vaticano e pessoas atendidas pelo Fundo de Assistência Sanitária (FAS).

 

Papa diz ter ficado surpreso e condena violência no Capitólio

Francisco comentou sobre a invasão do Capitólio por parte dos apoiadores de Donald Trump, ocorrida na última quarta-feira (06), e disse ter ficado “surpreso” com o fato ter acontecido nos Estados Unidos.

“Eu fiquei surpreso… um povo assim disciplinado, a democracia.. não? Mas, é uma realidade e também na realidade mais madura sempre há alguma coisa que não vai certo, com gente que segue o caminho contra a comunidade, contra a democracia, contra o bem comum”, disse o Pontífice em entrevista publicada hoje ao canal italiano Mediaset.

O líder católico ainda afirmou que “graças a Deus, conseguiram parar” o ato “e que foi possível ver bem que essa é a hora de dar o remédio”.

“Sim, isso deve ser condenado, esse movimento assim, independente das pessoas. A violência é sempre assim, não? Nenhum povo no mundo pode tirar vantagem e dizer que não tem um dia sem violência. Acontece na história, mas devemos sempre aprender para não repetir, aprender com a história”, acrescentou Jorge Mario Bergoglio.

Ao fim de sua resposta para o jornalista Fabio Marchese Ragona, o Papa faz um alerta. “Precisamos aprender que esses grupos para-regulares, que não estão bem inseridos na sociedade, mais cedo ou mais tarde cometerão esses atos de violência”, finalizou.

A invasão ao local terminou com, ao menos, cinco mortos e diversas partes do Congresso foram vandalizadas.

Ao longo dos quatro anos de presidência de Donald Trump, a relação entre Vaticano e Estados Unidos foi bastante diplomática. No entanto, não foram poucas as oportunidades em que o líder da Igreja Católica condenou atos do governo de Washington, especialmente, no caso das ações contra migrantes e do negacionismo no início da pandemia da covid-19.

Recentemente, durante as negociações da Igreja Católica com o governo chinês para renovar um acordo eclesiástico, um dos mais altos membros da Cúria Católica, o secretário das Relações com os Estados, espécie de ministro das Relações Exteriores, Paul Richard Gallagher, afirmou que o governo de Trump estava tentando “instrumentalizar” a imagem de Francisco para buscar “benefícios eleitorais”.

 

Fonte: UOL
Foto: Vatican Media/­Reuters