Uma aeronave da Força Aérea Britânica obteve novas imagens do maior iceberg do mundo, enquanto este flutua pelo sul do oceano Atlântico, ao leste da Argentina.

Conhecido como A68a, o iceberg é tão grande – tem 4,2 mil quilômetros quadrados – que não consegue ser visto em sua totalidade em uma única foto. No entanto, seu estado de conservação é cada vez pior: as imagens revelam diversas rachaduras e fissuras, inúmeros pedaços de gelo que se desprenderam do bloco principal e o que parecem ser túneis sob a superfície da água.

O iceberg vindo da Antártida está no momento rumando em direção às ilhas da Geórgia do Sul, um território ultramarino britânico no Atlântico Sul.

O A68a está no momento a apenas 200 km de distância de uma da ilhas, e existe a chance real de ele ficar preso nas águas costeiras mais rasas.


Este penhasco tem 30m de altura, mas estima-se que o iceberg alcance mais 200m de profundidade sob as águas- Foto: BFSAI/Corporal Philip Dye


Imagens de satélite mostram o A68a se aproximando das ilhas da Geórgia do Sul; os dois têm tamanho semelhante – Foto: Copernicus Sentinel Data/Pierre Markuse

Para avaliar riscos da situação, um voo de reconhecimento da Força Aérea Britânica foi enviado ao local.

“Sei que falo por toda a equipe envolvida quando digo que esta é certamente uma tarefa única e inesquecível”, escreveu no Facebook o líder da missão, comandante Michael Wilkinson.


Alguns dos blocos que se desprendem são de tamanho considerável e podem trazer riscos à navegação – Foto: BFSAI/Corporal Philip Dye

Imagens de satélite feitas nas últimas semanas também indicam que as bordas do A68a estão se despedaçando rapidamente.

Em um cenário de elevação da temperatura global, a ação constante das ondas do mar faz com que incontáveis pequenos fragmentos do iceberg se desprendam. Alguns pedaços, porém, não são tão pequenos assim e terão de ser monitorados, por conta do risco que podem trazer à navegação.

As novas imagens trazidas pelo voo de reconhecimento serão analisadas, para que se possa prever como o iceberg pode se comportar nas próximas semanas e meses.


Muitos pequenos blocos de gelo estão se soltando do bloco principal do A68a – Foto: BFSAI/Corporal Philip Dye

O iceberg está sendo carregado por águas oceânicas rápidas, que podem levar o bloco de gelo em uma “volta” à parte sul da Geórgia do Sul.

Há considerável interesse quanto a se o iceberg iria, então, se aterrar no território – por sinal, o iceberg tem tamanho territorial semelhante à ilha.

Se isso acontecer, pode provocar grandes dificuldades para os pinguins e focas da ilha conseguirem sair para pescar no mar.

O A68a desprendeu-se de um bloco de gelo da Antártida em julho de 2017. Na época, ele era ainda maior: media 6 mil quilômetros quadrados.

A despeito disso, especialistas se dizem surpresos com o fato de o iceberg não ter perdido ainda mais gelo. Muitos acreditavam que, a esta altura, ele estaria ainda menor.


Voo de reconhecimento mostra também túneis se formando sob o iceberg – Foto: BFSAI/Corporal Philip Dye

 

Fonte: UOL
Foto: BFSAI/Corporal Philip Dye