O Paysandu anunciou, na manhã desta terça-feira, a saída do técnico Hélio dos Anjos. De acordo com a nota oficial bicolor, o treinador pediu demissão do cargo. Junto com ele também saem os auxiliares Guilherme dos Anjos e Marcelo Rocha.

Desabafo

Hélio dos Anjos deixou claro, na coletiva de imprensa depois da vitória contra o Imperatriz, que vivia um ambiente complicado na Curuzu.

“Dias difíceis”, disse o treinador, entre o título do Campeonato Paraense, no domingo, e a derrota para a Jacuipense, na quarta-feira.

O desabafo foi além. De acordo com o treinador, se a diretoria não estava satisfeita com o trabalho da comissão técnica, era preciso se posicionar.

“Falo isso publicamente, porque senti o peso da coisa”.

As críticas continuaram e envolveram o diretor de futebol, Felipe Albuquerque. Falando diretamente para o profissional, que estava na sala durante a entrevista, Hélio dos Anjos cobrou publicamente a contratação de um zagueiro, posição carente no Papão – contra os baianos, por exemplo, a zaga teve o lateral-esquerdo Bruno Collaço improvisado no setor.

Hélio continuou e reclamou do fato de quase não contar com o atacante Nicolas, artilheiro da equipe na temporada com 12 gols, diante do Imperatriz. Enfatizou que só escalou a partir de um pedido do próprio jogador, explicitando um problema com o departamento médico – Nicolas havia sofrido uma lesão diante do Jacuipense e chegou a ser dúvida no último jogo.

Bastidores

Conforme apurou a reportagem do ge Pará com uma fonte do clube, Hélio dos Anjos e Felipe Albuquerque se admiram profissionalmente, porém, a relação azedou nos últimos tempos. Esse seria um dos motivos para o experiente técnico de 62 anos entregar o cargo.

O diretor de futebol é visto como forte nos bastidores da Curuzu. O “braço direito” do presidente Ricardo Gluck Paul é alvo de muitas críticas, principalmente, do torcedor, mas segue firme no cargo. Pouco se pronuncia oficialmente, a não ser em início de temporada e para anunciar reforços e contratações, isso através da assessoria de imprensa.

Felipe foi contratado no final de 2018 e viu, nesse período, as saídas dos treinadores João Brigatti, Léo Condé e, agora, Hélio dos Anjos. A seu favor, pesa a boa intermediação no mercado, como quando conseguiu as renovações de contrato com Nicolas, duas vezes, e Vinícius Leite. Ambos são os principais destaques do Paysandu desde 2019.

Quando falou oficialmente sobre o desabafo de Hélio dos Anjos, Ricardo Gluck Paul admitiu a culpa pela ausência do reforço defensivo, mas não saiu em defesa do treinador nos outros assuntos, como na questão do DM. O mandatário não demonstrou, no pronunciamento à imprensa, um apoio à permanência de Hélio no cargo em meio à pressão que o comandnate anunciou estar sentindo no clube. Ainda segundo apuração da reportagem, Hélio teria se sentido mais desprestigiado com a falta de amparo público do presidente.

 

Retrospecto

No ano passado, Hélio dos Anjos quase levou o Paysandu à Série B com uma campanha invicta, mas parou no mata-mata decisivo no polêmico jogo contra o Náutico. Em seguida, perdeu o título da Copa Verde para o Cuiabá, no Mangueirão, novamente nos pênaltis. Esse ano, porém, veio a primeira conquista: o Campeonato Paraense.

Contando toda a passagem na Curuzu, Hélio tem um retrospecto positivo: 45 jogos, com 20 vitórias, 19 empates e apenas seis derrotas, um aproveitamento de 58,5%. O primeiro revés Alviceleste ao seu comando foi contra o Cuiabá, na Copa Verde de 2019, enquanto que, na Série C, aconteceu para o Manaus, na segunda rodada de 2020.